quinta-feira, 7 de março de 2013

A inacreditável história das irmãs siamesas que foram celebridades na década de 20

Estima-se que todo ano, no Brasil, nasçam 51 mil gêmeos, trigêmeos ou quadrigêmeos.
 
Esse fato vai à contramão de outro dado importante: ao longo dos últimos anos, o crescimento demográfico do país tem diminuído o ritmo. As razões que justificam essa diminuição vão desde o fator da urbanização e industrialização até os incentivos à redução da natalidade, com a disseminação de anticoncepcionais.
Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a proporção de brasileiros nascidos de partos múltiplos passou de 1,59% em 2003 para 1,86% do total de partos até o final de 2010. Isto significa que a cada ano nascem mais de 51 mil múltiplos.
Desse modo, acaba se tornando cada vez mais comum conhecermos e/ou encontrarmos crianças e adolescentes que dividiram o mesmo útero materno.
E quanto a dividir o mesmo corpo? De vez em quando nos deparamos com notícias de nascimento de gêmeos xipófagos, ou mais popularmente conhecidos como gêmeos siameses.
Geralmente, ocorre um caso de gêmeos siameses a cada 200 mil nascimentos, o que indica que é um acontecimento muito raro. As estatísticas mostram também, que esses nascimentos ocorrem mais na África e na Índia, do que na China e Estados Unidos, por exemplo.
Os gêmeos siameses são o resultado de um único óvulo fertilizado, de maneira que são sempre idênticos e do mesmo sexo. O nascimento de dois bebês unidos é muito traumático. Cerca de 40 a 60% das crianças nascem mortas. A taxa de sobrevivência de gêmeos unidos é em torno de 5 a 25%.
Por ser uma condição rara, na maioria das vezes que nascem crianças unidas congenitamente, a mídia aparece para mostrá-las ao mundo, e quanto maior for o risco de morte e dramaticidade da situação, mais atenção e holofote essas crianças ganham. Hoje em dia é assim, mas na década de 20 também não era diferente.
As irmãs Hilton
A década de 20 foi um período onde se cultivava o gosto pela moda, pela música, pelos espetáculos e desportes. A indústria do cinema narrativo nascia e já revelava grandes artistas como Charles Chaplin e Greta Garbo, diretores talentosos como D. W. Griffith, considerado o “pai do cinema americano” e filmes clássicos como Sunrise de 1927.
 
Foi neste ambiente artístico, que crescia a passos largos, que as gêmeas siamesas Daisy Hilton e Violet Hilton chamaram a atenção do mundo e se tornaram celebridades no meio artístico da época. As irmãs Hilton viajavam em turnê por todo o país norte americano no circuito de side show e Vaudeville na década de 20 e 30.
As gêmeas, de origem britânica, nasceram em Brighton, Sussex, no dia 5 de ferreiro de 1908. A mãe das meninas era uma garçonete solteira que as vendeu no dia do nascimento para a sua chefe, Mary Hilton, que também havia ajudado no parto. Hilton, ao se deparar com um caso tão raro e curioso, logo viu perspectivas comerciais nas meninas e por isso fez a proposta.
Daisy e Violet nasceram unidas por seus quadris e nádegas. Elas compartilhavam a circulação sanguínea, mas não órgãos importantes. Eram fundidas na pelve e mantidas, segundo autobiografia das irmãs, sobre rígido controle com abusos físicos e psicológicos. Elas eram treinadas desde pequenas para cantar e dançar para se apresentarem em feiras.
Aos três anos de idade as irmãs já se apresentavam em turnês na Alemanha, Austrália e Estados Unidos, e também eram convidadas a participar de programas de dança e competições. Todo o lucro desse entretenimento insano ficava com a madrasta e o marido.
Quando Mary Hilton morreu, foi sua filha e genro que passaram a ‘empresariar’ as gêmeas siamesas. Na década de 30 elas passaram a morar nos Estados Unidos, e resolveram processar seus empresários, conseguindo efetuar a quebra de contrato e uma indenização de 100 mil dólares. Elas pararam de se apresentar em side shows e começaram a participar de espetáculos do Vaudeville. Para poderem ser diferenciadas, Daisy tingiu o cabelo de loiro.
A partir dos anos 30, os tabloides passaram a acompanhar uma das histórias mais sensacionalista daquela época. Elas tiveram diversos relacionamentos, tentativas fracassadas de obter uma permissão para casar, casamentos falsos bizarros e escândalos. O que mais se especulava, era a curiosidade em torno de como poderia ser ter relações íntimas com essas duas mulheres unidas.
 
Em 1932 elas estrelaram o filme Freaks, como elas mesmas, e em 1951 estrelaram Chained for Life, um filme também baseado em suas vidas. Aos poucos, as gêmeas foram sumindo de cena. Elas já não eram mais o entretenimento, e com isso o brilho delas foi diminuindo.
As irmãs terminaram a vida trabalhando em um supermercado. Em 1969 elas foram encontradas mortas em sua casa. Segundo a perícia médica, elas morreram vítimas da Gripe de Hong Kong. Daisy faleceu primeiro, e Violet depois de dois ou quatro dias.
Documentário Bound by Flesh
Essa não é, porém, apenas a história de duas mulheres exploradas, mas também mostra como as irmãs viveram um momento único na história da mídia americana. Elas eram tão famosas que milhões de pessoas eram atraídas pela curiosidade e fascínio que as jovens produziam.documentário é dirigido por Leslie Zemeckis, e remonta a história das gêmeas siamesas que foram esquecidas pelo tempo. O trabalho retrata de forma simpática a vida das irmãs Hilton, e o modo sensacionalista no qual elas auto se comercializavam.
Elas eram duas belíssimas jovens presas em um corpo nada convencional. Apesar de uma possível intervenção cirúrgica existir para que se pudesse separá-las, Daisy e Violet, no entanto, nunca quiseram fazer a cirurgia. Ambas nasceram unidas, e assim morreram, sem terem medo ou vergonha de suas próprias condições físicas.
Confira abaixo com um pequeno trecho do filme original:

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