domingo, 31 de março de 2013

O primeiro desastre ecológico planejado da História!



No final dos anos 50, a União Soviética planejou incrementar a sua produção agrícola nas repúblicas do Uzbequistão e Cazaquistão, transformando as áridas estepes da Ásia Central em férteis campos  de algodão, visando exportação.
Mar de Aral em 1985.

Para isto, fez uma pergunta que mostrou-se desastrosa: "O que traz mais benefícios econômicos, desviar os dois principais rios que desaguam na Mar de Aral para irrigação de plantações de algodão ou a atividade pesqueira e de lazer em suas margens ?"

A resposta dos tecnocratas do Planejamento Central foi que o metro cúbico de água desviado para a cultura de algodão seria mais rentável do que o metro cúbico de água despejado no Mar de Aral, mesmo que este desvio causasse a diminuição drástica daquele que na época era o quarto maior mar interior do planeta, com uma área de 68.000 km2, comparável ao tamanho do Uruguai.

E foi com estes cálculos em mãos que começou um grande projeto de desvio das águas dos rios Amu Darya e Syr Darya para irrigar as plantações uzbeques e cazaques.

A princípio o projeto foi muito bem sucedido, e o Uzbequistão multiplicou sua produção agrícola, tornando-se rapidamente o terceiro maior produtor mundial de algodão.


Porém, a ampliação de canais foi feita de forma indevida, permitindo grande evaporação e vazamentos, causando o primeiro ECOCÍDIO consciente da história.

O que os tecnocratas (
funcionário do governo que analisa os problemas levando em conta apenas a questão técnica, sem considerar outros aspectos) de Moscou previram foi que o Aral diminuiria progressivamente de tamanho, mas sem causar grandes danos climáticos ou à população. O tempo mostrou que eles não poderiam estar mais errados.


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 O que antes era o leito do mar transformou-se em um grande deserto de sal com altíssima concentração de pesticidas, que causam  vários tipos de problemas para a população que vive na região, e a pouca água que resta tem concentrações impensáveis de Sal. 

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 Apenas uma das 24 espécies de peixes que viviam em suas águas pode ser raramente encontrada, e das 173 espécies animais de suas margens restam apenas 38.

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 O clima também foi muito afetado. Devido a ausência da água, uma reguladora natural da temperatura, as médias do verão aumentaram 1,5 graus, e no inverno diminuíram na mesma proporção. Isto causa uma demanda adicional por água para as culturas, que contribuem ainda mais para o esvaziamento do Aral, e por outro lado diminuíram o ciclo de plantação, diminuindo a produtividade.

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Hoje os danos são tão grandes que não há mais esperanças para o Mar de Aral. Basta comparar as fotos de satélites tiradas ao longo das últimas décadas para ter um idéia do avanço da desertificação do Mar de onde eram tiradas mais de 48.000 toneladas anuais de pescado, e que desde 1982 é inexistente.
Que esta tragédia sirva de lição para os países que continuam buscando o desenvolvimento econômico sem pensar nos danos ao meio ambiente, como a China, Índia, Brasil e alguns países africanos. No fim, a natureza sempre cobra suas dívidas com juros!

Fonte: RIOBLOG

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